Universidade do Minho  

           
 
  Autenticação/Login
 
Contactos
Mapa do Site
   
  imprimir
 
voltar 
O projecto galardoado SafeSea, do Departamento de Biologia é apoiado pela Noruega e Espanha
sexta-feira, 11-03-2011
Cientistas e pescadores vão propor novas áreas de protecção para espécies em risco O projecto galardoado SafeSea, do Departamento de Biologia da UMinho, vai alargar o âmbito e ter parceiros de Portugal, Noruega e Espanha.
  O projecto galardoado SafeSea, do Departamento de Biologia é apoiado pela Noruega e Espanha
 
A notícia é desenvolvida no jornal on-line da Uminho.

O projecto galardoado SafeSea, do Departamento de Biologia da UMinho, vai alargar o âmbito e ter parceiros de Portugal, Noruega e Espanha. O novo LIFE MarPro quer ajudar os 19 mil pescadores de Portugal continental na faina e na sua relação com as espécies protegidas e propor novas áreas de conservação. Até 2015 quer-se acompanhar dois mil barcos e fazer os censos da fauna marinha, com observações por avião, campanhas de vinte dias no mar, maior ligação cientistas/pescadores e uso de dispositivos acústicos na frota pesqueira para afastar os cetáceos.

09-03-2011 | Texto: Nuno Passos

O Departamento de Biologia da UMinho vai aplicar a todo o território marinho de Portugal continental o seu projecto SafeSea, premiado nos Green Project Awards. A investigação foi a primeira campanha de censos de cetáceos, sendo pioneira em medidas de redução da mortalidade de espécies ameaçadas e na cooperação cientistas/pescadores, nomeadamente com a VianaPescas, de Viana do Castelo, e a Centro Litoral, de Figueira da Foz. O novo projecto, chamado LIFE MarPro, junta a Universidade de Aveiro, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), o Instituto de Investigação das Pescas e do Mar (IPIMAR) e o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB). Os parceiros externos são o Instituto de Investigação Marinha de Oslo (Noruega) e a Coordenadora para o Estudo de Mamíferos Marinhos da Galiza (Espanha). O projecto iniciou em Janeiro de 2011 e dura até final de 2015, tendo 1.3 milhões de euros (50% do total) comparticipados pelo Fundo Europeu para o Ambiente 2007/13 LIFE+.

"Não é com dois anos do SafeSea que se resolve as capturas acidentais e a predação do pescado, mas com o MarPro e se até 2020 tivermos mais financiamento e os pescadores incorporarem o que lhes fornecemos, haverá resultados satisfatórios", refere o professor José Vingada, da UMinho. O biólogo admite que os pescadores têm mudado o modo de encarar os mamíferos marinhos ("não os olham como peixe para apanhar e vender"), aceitam melhor os inquéritos ("em 2001 quase maltrataram os cientistas") e há cada vez mais mestres novos e formados ("vão a cursos, percebem que têm que cooperar?". Além disso, conseguiu-se implementar sistemas de protecção acústica nos barcos para afastar cetáceos, autorização para os observadores irem nos barcos das organizações pesqueiras, a participação em acções de reabilitação, o acompanhamento e entrega de animais capturados. "Não é um acordo, porque é verbal, mas uma relação de confiança e abertura, com objectivo comum", sustenta José Vingada, salientando que os pescadores "reagem muito mal se são obrigados a implementar regras sem as terem podido estudar".

Salvamento de um golfinho riscado
Acto de salvamento de um golfinho riscado *

Afinal como são usadas as águas longínquas?

Portugal tem uma costa rica em recursos pesqueiros (sardinha, polvo, carapau, cavala, pescada..., mas tem a quinta frota pesqueira da Europa e, por proximidade, a primeira frota, que é a espanhola. Associado a isto há uma grande presença de aves e mamíferos marinhos, nomeadamente os golfinhos, o que cria conflitos: pescadores e cetáceos competem pelos mesmos recursos. E a captura de espécies ameaçadas traz um problema grave de conservação e de sustentabilidade. O caso foi aflorado graças às redes de arrojamento e trabalhos de mestrado e doutoramento. O SafeSea sistematizou a informação para decidir como actuar. Já o MarPro vai aprofundar os censos, a evolução das espécies e saber como são usadas as águas longínquas (além das 12 milhas).

O projecto deve indicar novas áreas Natura 2000 de interesse e de protecção de aves e/ou mamíferos marinhos e dos respectivos habitats, na Zona Económica Especial (ZEE) de Portugal continental, que se pode estender até 200 milhas. Estão criadas 14 áreas especiais (SCI e SAC) na ZEE lusa e a elaboração de novas propostas peca por falta de dados, o que se quer colmatar agora. Aliás, pretende-se fazer planos concretos de gestão para o golfinho boto, o golfinho-nariz-de-garrafa e a pardela das Baleares. Em paralelo, quer-se entender a interacção em alto-mar entre a exploração de peixes pelágicos (atuns, sardinhas, entre outros) e a conservação de espécies ameaçadas, bem como conceber instrumentos de vigilância e monitorização de custo eficiente, sustentáveis e utilizáveis a longo prazo. As zonas dos Açores e Madeira não entraram no MarPro, por não pertencerem às água continentais e já terem outros projectos a decorrer.

Recolha de aves para análise
Investigador faz a recolha de aves para análise *

Número de golfinhos diminuiu significativamente

O golfinho boto é o cetáceo mais pequeno da nossa fauna e, também, o mais ameaçado. Na costa atlântica ibérica haverá apenas cerca de 700 espécimes (em 2005 rondavam os 1900 desde o sul de França), estima José Vingada. O golfinho comum está igualmente a diminuir significativamente em população. O MarPro tentará inverter o cenário até 2015. Contudo, "só no fim da década" se perceberá que se conseguiu, ou não, parar a extinção de botos. "Nas políticas nacionais e comunitárias de conservação marinha algo falhou redondamente. Temos que tomar medidas claras de conservação desta espécie. Oxalá não estejamos a agir tarde, até porque esta população ibérica tem vindo a isolar-se desde há décadas da restante população mundial, e as capturas acidentais de pesca podem ter agravado o cenário", vinca o perito, acrescentando que sem o SafeSea não se saberia desta situação e continuar-se-ia a calcular espécimes ?com base em feelings".

Golfinho comum
Um golfinho comum a deslizar pelas águas do Atlântico *

* Fotos cedidas pela Sociedade Portuguesa de Vida Selvagem
mais informações: http://www.uminho.pt/Newsletters/HTMLExt/23/website/conteudo_274.html
 
voltar 
 
  © 2020 Universidade do Minho  - Termos Legais  - actualizado por Biologia Símbolo de Acessibilidade na Web D.